Agosto 2000 - Aqua Nativa nº 18 - "Ainda o Leitão Assado - Finalmente, leitão assado"
ARTIGOS

Ainda o Leitão Assado

Finalmente, leitão assado

 

O assador experiente conhece o tempo necessário para uma boa assadura. Se ele não é um dos convivas para o banquete, a parte final da assadura processava-se ainda durante a primeira parte do repasto. O leitão iria bem quente e estaladiço para a mesa. Se era um dos convivas, o leitão resfriaria um pouco antes de ser consumido, perdendo algumas características de que muitos apreciadores gostam.

O leitão era retirado do forno, desamarrado da vara, para o que bastava um ligeiro toque na verga meia queimada e o molho que ainda permanecia no seu interior – e era bom que lá se tivesse mantido uma boa porção – era cuidadosamente vertido para a “pingadeira”. É o celebrado molho de leitão que vai ter várias aplicações, p´roximas ou futuras, nos acepipes caseiros.

Hoje em dia, o leitão raramente vai inteiro para a mesa, como se fazia antigamente. Normalmente vai já cortado em pequenos pedaços. Mas noutros tempos, não: o leitão ia inteiro para a mesa, enfeitado com uma laranja enfiada na boca aberta e só depois era trinchado pelo dono da casa. Trinchar bem um leitão é uma tarefa que requer alguma habilidade de forma a que fique bem apresentado e com a pele bem distribuída, pelos vários pedaços. Se esta operação não é feita com critério e habilidade, pode perder-se muito do bom gosto do leitão.


Carlos Alegre


Extraído da Revista
Aqua Nativa Nº 18
Agosto de 2000


 


 

 

 
 
 
 
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