Junho de 2008 - "Antigos Sabores e Costumes da Bairrada - 5 - As Vindimas"
ARTIGOS

 

            5- As Vindimas

Sendo a Bairrada uma região vinhateira as vinhas eram um forte meio de subsistência de muitos agricultores.

Havia grandes proprietários que tinham que falar a muitos trabalhadores para cortarem as uvas e transportá-las para os lagares.

Era um trabalho alegre, animado por cantares muitas vezes ao desafio e que terminava sempre em festa. No último dia de vindima enfeitavam os carros de bois e as dornas com arcos e flores e os vindimadores iam atrás a cantar fazendo um cortejo da vinha até à adega. Ali chegados, e depois de descarregadas as uvas, era servido um jantar em que há muitos anos a ementa era batatas cozidas com cebola e bacalhau, depois passou a ser chanfana e ultimamente alguns proprietários servem leitão. A sobremesa é que não mudou: papas doces de abóbora menina. Os trabalhadores, quando vêem que no outro dia acabam, ainda hoje comentam: “Amanhã vamos comer as papas!”.

Depois do jantar e animado por um tocador de concertina havia bailarico na eira.

A tradição do cortejo perdeu-se um pouco depois da chegada dos tractores e das dornas de metal mas mesmo assim, ainda se põem arcos no tractor e se deslocam em cortejo por vezes de carro ou de bicicleta.

Ficaram célebres as festas das vindimas na Curia, quer no Palace Hotel, quer na Quinta dos Cabrais em Tamengos.

Nas décadas de 40, 50, e 60 do século passado o Palace era frequentado pela alta sociedade lisboeta e também do Norte: vinham a banhos empresários, políticos, artistas e até mesmo estrangeiros.

Quando chegava a altura da vindima todos os hóspedes participavam: era-lhes fornecido um cesto, tesoura e chapéu de palha e juntamente com os trabalhadores e alguns convidados da sociedade Anadiense e não só, deslocavam-se para as vinhas que circundavam o Hotel cantando um hino que foi feito de propósito para tal evento.

A última vinha a ser vindimada era a de perto da Estação onde então se organizava o cortejo até ao Palace onde decorria a festa final.

Na Quinta dos Cabrais fazia-se mais ou menos o mesmo e achei esta época documentada na Exposição “Património da Bairrada” que decorreu no mês de Junho na Curia Tecnoparque, numa organização da Universidade Sénior.

 

 

 

 

Junho de 2008

 

 

Dra. Maria Celeste Torres

(Professora)


 

 

 
 
 
 
número de visitantes: 688367