Junho de 2008 - "Antigos Sabores e Costumes da Bairrada - 2 - Leitão da Bairrada - Origens"
ARTIGOS

2- Leitão da Bairrada - Origens

É do conhecimento geral que os homens primitivos se alimentavam dos animais que caçavam, da pesca e de frutos silvestres. Antes da descoberta do fogo a carne e o peixe eram comidos crus e depois começaram a assá-los, é claro, sem nenhum tempero.

Com a pastorícia e o homem recolector já matavam e comiam alguns dos animais que criavam. O porco, aliás como os outros animais era selvagem (ainda tem o seu parente javali em estado selvagem) mas começou a ser domesticado e comido. Sabe-se que na Idade Média já era assado no espeto com lume por baixo.

Quanto à sua origem na Bairrada e seu modo de assar não há propriamente consenso. Nos três concelhos onde o leitão é mais vulgar (Anadia, Águeda e Mealhada) há bairristas que dizem que foi no seu concelho que nasceu o Leitão da Bairrada.

Mas segundo um artigo publicado há uns anos no jornal “Diário Regional” pelo gestor hoteleiro Pedro Costa que começa por dizer que não tem relação com o Leitão Assado à Bairrada a não ser pagar o que come mas que defende o bom produto, a receita do leitão tal como é assado na Bairrada vem descrita quase igual em “Cadernos de Refeitório, manuscrito conventual” de 1743 a páginas 55-56 que foi coligido por António de Macedo Mengo. “Portanto há que deixarmo-nos de nos preocupar com quem começou a assar o leitão como hoje o conhecemos e esquecer “Ti Marcelino”, “Álvaro Pedro” e outros, pois já antes destes se vendia em tascas da Bairrada o leitão assado.”

O articulista termina por dizer que o Leitão Assado á Bairrada é um prato nacional mas que foi a Bairrada que o tornou famoso pois é aqui que ele melhor se confecciona. Aliás ele começa o artigo citando Fialho de Almeida: “o prato nacional é como o romanceiro nacional, um produto do génio colectivo: ninguém o inventou e inventaram-no todos…”

A Confraria Gastronómica do Leitão da Bairrada luta para que o produto final servido seja da melhor qualidade independentemente do local onde é assado, não olhando a bairrismos e promovendo as tradições bairradinas.

 

 

Junho de 2008

 

 

Dra. Maria Celeste Torres

(Professora)


 

 

 
 
 
 
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